terça-feira, 9 de agosto de 2016

Um novo continente – Poesia e surrealismo na América, de Floriano Martins


FLORIANO MARTINS | Um novo continente – Poesia e surrealismo na América
ARC Edições | Ceará, 2016
Capa, fotografias & vinhetas © Floriano Martins
Traduções © Allan Vidigal (inglês), Eclair Antonio Almeida Filho (francês), Floriano Martins (espanhol), Márcio Simões (inglês), Milene Moraes (francês)
Revisão & projeto gráfico © Floriano Martins & Márcio Simões
Orelhas © Marco Lucchesi
Posfácio © Leontino Filho
Desenho de FM ficha técnica © Fátima Lodo Andrade da Silva
Desenho de FM orelha 1 © Adriel Contieri
Brochura, 560 pgs | Formato 14x21 cm | Peso 810 gm
R$ 100,00 (frete nacional simples incluso)

Brinde de lançamento: Circo Cyclame (teatro automático), de Zuca Sardan & Floriano Martins | ARC Edições | Ceará, 2016 | Participação especial (posfácio-entrevista) © Kazimir Pierre | Desenhos © Zuca Sardan | Capa, colagens, vinhetas & projeto gráfico © Floriano Martins

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Floriano Martins escreveu um livro de rara probidade intelectual. Diante de um repertório vasto, difícil e inacabado, elaborou uma articulação ousada e bem sucedida entre partes consideradas dispersas e intrafegáveis. Enfrentou a princípio – e com galhardia – uma nuvem de ideias em contínua migração. O primeiro passo foi dado com O começo da busca, que era um livro sem aduanas ideológicas ou embargos culturais. Era o anteprojeto de uma ousada cartografia. Não a que se faz dentro de um cômodo gabinete, de censuráveis a prioris e de outras imposturas intelectuais, conceitos que mal se adequam a uma geografia porosa, vibrátil, em que as ilhas distantes, porventura, podem formar um arquipélago inesperado, partindo-se de um insight, ou de uma atenção polifônica, nas camadas mais profundas da harmonia. O mapeamento de Floriano está para Borges e Calvino. Preciso e marcado de potencialidades. Atento a percursos mal visitados, como quando aborda certas formas clandestinas do Surrealismo, que não tomam parte sequer de um proto-cânone. Floriano está no microcentro de Buenos Aires e entre os Mapuches do Chile, interage com os poetas do México e com os de Cuba, com uma desenvoltura, uma atenção, um respeito que hoje anda quase perdido. O seu gabinete fica – como dizia Antonio Carlos Villaça – entre a estante e a rua, a escuta precisa e a polêmica aguda, provocadora, nunca próxima da gratuidade, a serviço de mais oxigênio e coragem.      
Aplaudo sobremodo a arquitetura deste livro e a forma pela qual os capítulos crescem, à medida que avançamos, como se formassem uma afortunada espiral. A selva bibliográfica diz tudo: uma riqueza sem proporção, atenta às grandes linhas dos temas consagrados, bem como aos mais diversos e interessantes aspectos capilares. Floriano atinge a dimensão quase impenetrável do presente, de antenas abertas aos folhetos de vida breve e a uma zona viscosa e variável do que se costumou definir como sendo a blogosfera. E nem por isso abandona a diacronia, e nem se perde tampouco em concepções historicistas, em detrimento de uma historiografia forte.
Tenho Floriano Martins como um dos nomes cruciais para a compreensão das culturas da assim chamada América Latina – e não estou só nesta quadra. Poucos no continente possuem hoje um trânsito físico e mental como o dele, para todas as latitudes deste nosso velho Mundo Novo. Sua aventura espiritual bebe na fonte de um José Martí e sonha uma integração poética mais profunda e marcada pelo estatuto da emancipação. E, afinal, será preciso sublinhar que este livro foi escrito por um poeta de marca, um ensaísta vigoroso e um artista plástico que não separa a instância crítica da própria criação?

[Marco Lucchesi]

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UM NOVO CONTINENTE
Poesia e Surrealismo na América


◌ Celebração da memória: Notas de acesso

◌ Capítulo 1: Diário de bordo
◊ Primeiras visões: América Latina & Caribe
◊ Visões do exílio: Estados Unidos
◊ Visões da névoa: Brasil

◌ Capítulo 2: Cartografia da inquietude
◊ Labirintos incessantes [enquete]
Afonso Henriques Neto ● Alex Januário ● Alexandre Fatta ● Allan Graubard ● Armando Romero ● Carlos Bedoya ● Carlos M. Luis ● Claudio Willer ● David Nadeau ● Emilio Andrés Padilla Pacheco ● Enrique de Santiago ● Fernando Palenzuela ● Franklin Fernández ● Gabriela Trujillo ● J. Karl Bogartte ● Jorge Valdés Ramos ● Juan Calzadilla ● Ludwig Zeller ● Luis Fernando Cuartas ● Marcus Salgado ● María Meleck Vivanco ● Nelson de Paula ● Oscar Jairo González Hernández ● Pedro Arturo Estrada ● Philip Daughtry ● Raquel Jodorowsky ● Roberto Piva ● Rodrigo Hernández Piceros ● Rodrigo Verdugo Pizarro ● Rubens Zárate ● Thomas Rain Crowe ● Viviane de Santana Paulo ● Zuca Sardan

◊ Caravana de relâmpagos [depoimentos]
Claude Gauvreau por Ray Ellenwood ● Conde de Lautréamont por Juan José Ceselli ● Enrique Molina por Armando Romero ● Eugenio Granell por Carlos M. Luis e Susana Wald ● Freddy Gatón Arce por Manuel Mora Serrano ● Jorge Cáceres por Enrique de Santiago ● Jorge Camacho por Carlos M. Luis ● Juan Antonio Vasco por Rodolfo Alonso ● Juan Sánchez Peláez por César Seco ● Laurence Weisberg por Beatriz Hausner ● Manuel Scorza por Hildebrando Pérez Grande ● Philip Lamantia por Neeli Cherkovski ● Roberto Piva por Floriano Martins ● Yvan Goll por Nan Watkins

◊ A vida imaginária do surrealismo [entrevistas]
Allan Graubard (Estados Unidos) ● André Lamarre (Canadá) ● Armando Romero (Colômbia) ● Beatriz Hausner (Canadá) ● Carlos M. Luis (Cuba) ● Claudio Willer (Brasil) ● Enrique Gómez-Correa (Chile) ● Ernest Pepín (Martinica) ● Leila Ferraz (Brasil) ● Ludwig Zeller & Susana Wald (Chile) ● Manuel Mora Serrano (República Dominicana) ● Sergio Lima (Brasil) ● Thomas Rain Crowe (Estados Unidos) ● Zuca Sardan (Brasil)

Capítulo 3: Vanguarda clandestina
Vértices magnéticos do horizonte
Jotamario Arbeláez: Colômbia e Nadaísmo ● Juan Calzadilla: Venezuela e El techo de la ballena ● Margaret Randall: México, Estados Unidos e El corno emplumado ● Miguel Grinberg: Argentina e Eco contemporáneo

◊ Celebração da memória: Últimas pistas

◌ Posfácio
◊ Aventuras da poesia no tempo: o inteiro continente revelado, por R. Leontino Filho

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Este livro é uma espécie de fruto múltiplo de várias árvores. Seus ramos são diversos o suficiente para destacar o radical de mestiçagem que o define. Nasce de um breve texto escrito em 1994, quando ensaiei uma primeira e tímida aproximação do Surrealismo na América Latina. Desde então já me incomodava o fato de que o Surrealismo em nosso continente era visto – aceito ou rejeitado – como se houvera simplesmente saído das páginas dos manifestos redigidos por Breton. Tal embaraço acabou por dificultar a percepção do raio de atuação das vanguardas eclodidas no continente – em momentos distintos não por sintoma tardio, mas sim porque frutos de questionamentos culturais pertinentes a cada país –, notadamente aquelas que mantiveram relações estreitas com o Surrealismo.

[Floriano Martins]

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Floriano Martins (Brasil, 1957). Poeta, ensaísta, editor. Dirige a Agulha Revista de Cultura e o selo editorial ARC Edições. Estudioso do Surrealismo, dedicado ao tema e juntamente com Maria Estela Guedes, organizou o dossiê Surrealismo, edição especial da revista Atalaia Intermundos (Lisboa, 2003). Este mesmo ano proferiu conferência na Academia Brasileira de Letras intitulada “O Surrealismo no Brasil”, como parte do Ciclo Vanguardas e Pós-Modernismo, texto posteriormente incluído em Escolas literárias no Brasil (Org. Ivan Junqueira, 2 tomos. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004). Ensaios seus integram coletâneas como Aspectos do Surrealismo (edição especial, revista Organon # 22. Porto Alegre: UFRGS, 1994), Surrealismo e Novo Mundo (org. Robert Ponge. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1999), e O Surrealismo (Org. J. Guinsburg e Sheila Leirner. São Paulo: Perspectiva, 2008). Organizou livros de destacados surrealistas portugueses: Cruzeiro Seixas (Homenagem à realidade, 2005), Isabel Meyrelles (Palavras noturnas, 2006) e Fernando Alves dos Santos (Diário flagrante, 2008) – inseridos na coleção “Ponte Velha” (Escrituras, São Paulo), sob sua coordenação editorial de 2005 a 2010. Traduziu livros de Juan Calzadilla (A condição urbana. Santa Catarina: Letras Contemporâneas, 2005), Aldo Pellegrini (O caracol privado. Santa Catarina: Edições Nephelibata, 2010; e Sobre Surrealismo. Natal: Sol Negro Edições, 2013) e Enrique Molina (Costumes errantes ou a redondeza da terra. Bilíngue. Natal: Sol Negro Edições, 2016). Integrou um grupo surrealista no Brasil, na primeira metade dos anos 1990, ao lado de nomes como Sergio Lima e Fernando Freitas Fuão. Em 2010 foi professor convidado da Universidade de Cincinnati, tendo ali ministrado o seminário “Correntes de vanguarda na América Latina” (Department of Romance Languages. Ohio, Estados Unidos: University of Cincinnati, janeiro a março de 2010). Participou e assinou um dos textos do catálogo da exposição surrealista Las llaves del deseo (Costa Rica, 2016). Sua poesia e obra plástica constituem diálogo permanente e crítico com o Surrealismo.

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