terça-feira, 21 de julho de 2015

Mar anterior (poesia completa)





SÉRGIO CAMPOS | Mar anterior (poesia completa)
ARC Edições | Ceará, 2015
Organização, amparo crítico & revisão geral © Floriano Martins & Leontino Filho
Prólogo © Jorge Pieiro
Capa & vinhetas © Floriano Martins



Brochura, 144pgs
Formato 14x21 cm
Projeto gráfico © Márcio Simões 
R$ 35,00 (frete simples incluso)






Pouco antes de sua morte, em 1994, Sérgio Campos publicaria o livro Mar anterior. Poesia selecionada e revista 1984/94. Mais do que simples seleção de poemas de outros livros, aqui podemos falar de um livro outro, onde os poemas, além de revistos, apresentam nova disposição, atendendo aos temas que se mostraram, ao largo de dez anos de produção, mais entranhados em sua obra. Lendo agora Mar anterior confirma-se a incidência de uma epopeia íntima, como característica fundacional dessa poética. O próprio autor assim o comenta, em nossa correspondência pessoal: “realmente, o epos se coloca em intenção no poema que, no entanto, não é heroico, mas em essência lírico, o que lhe dá essa sensação de intimismo”.
Sérgio Campos atuou ainda como editor, ao criar o selo Mundo Manual, através do qual editou livros seus e de outros poetas. Ele próprio situa sua relação com a criação: "Diria que a experiência com as palavras define o poeta. Ele precisa ter uma relação especial, única em relação a elas. Precisa delas como o próprio ar, de ouvi-las em busca de novos sons, poli-las, redescobrindo sob o azinhavre a legenda dos mitos, dispô-las em conjuntos para observar seus conflitos e conciliações, povoar delas seu pátio de utopias. […] Poeta, para mim, é o ser capaz de realizar a experiência de fecundação da palavra, de fazer amor com elas, e de ser também amado nessa encantação."
Este livro reúne esforços de três amigos pela recuperação da obra de um grande poeta brasileiro, falecido prematuramente aos 53 anos de idade. ARC Edições agradece sinceramente a Pedro Bahiense, filho do poeta.





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informando endereço completo para remessa de exemplar e anexando confirmação de depósito no valor de R$ 35,00 (trinta e cinco reais) em favor de
FLORIANO BENEVIDES JÚNIOR • Banco BRADESCO
Agência 3456-8 • Conta corrente 17920-5 • CPF 169.613.313-00

Exemplar do livro será postado de imediato, através de frete simples já incluído no valor da aquisição.

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terça-feira, 7 de abril de 2015

A vida inesperada



FLORIANO MARTINS | A vida inesperada  (Poemas)
ARC Edições | Ceará, 2015
Capa, ensaio fotográfico interno & vinheta, Floriano Martins
Desenho de FM ficha técnica © Fátima Lodo Andrade da Silva
Desenho de FM orelha 1 © Adriel Contieri
Orelhas © Glaucia Olinger
4ª capa @ Susana Wald, Renata Sodré Costa Leite


Brochura, 584pgs
Formato 14x21 cm
Revisão & projeto gráfico © Floriano Martins e Márcio Simões 
R$ 70,00 (frete simples incluso)
Exemplar autografado pelo Autor

Floriano Martins está e assim permanecerá devotado ao infinito, juntando os cacos para reconstruir um ideal de clareza pós-apocalíptica. Sua imaginação é uma avalanche, avalanche guardiã do próprio mito que imagina, alinhava, faz reverberar e reitera. Escrita em estado permanente de desconstrução e reinvenção, difícil saber como o poeta evita cair no próprio abismo. [Glaucia Olinger]

A poesia do Floriano Martins é o lugar quase lascivo de uma ambiguidade. Desfrutar dessa ambiguidade é um privilégio que, em definitivo, não é para todo mundo. Sua escrita é como uma trilha de pedras: na medida em que se caminha por ela o leitor se  sente seguro, até mesmo deslumbrado com o horizonte que se descortina; porém o segredo é encontrar as pedras que estão solidamente apoiadas para não cair, pois ele sempre põe uma ou outra que nos faz escorregar. Ele é perigoso. [Renata Sodré Costa Leite]

Vejo o convulsivo na poesia de Floriano Martins dentro daquilo que no Surrealismo se define como belo, vejo o encontro de elementos, sensações e temas, no ponto em que deixam de ser opostos. Isto é o que considero convulsivo nele. Vejo elementos do feminino que ele contempla se juntarem aos elementos do masculino que ele expressa. E juntarem-se ao ponto de ser um. [Susana Wald]


O pintor William Turner, ao morrer, de súbito exclamou: "O sol é Deus!" A todo instante nos esquecemos disto, da súbita riqueza do inesperado. De um modo geral, somos viciados em planos e frustrações. Satisfazemos a nossa vida com esses dois argumentos: o que um dia queremos realizar e o infortúnio do que não foi possível. Evidente que nada disto importa. O gratificante na vida é o que ocorre alheio ao nosso controle. O que nos exige a vida é que deixemos a casa sempre aberta ao inesperado. Eu tenho levado a minha vida sob o salvo conduto do acaso.   Abraxas [Floriano Martins]


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O sol e as sombras



FLORIANO MARTINS & VALDIR ROCHA | O sol e as sombras  (Poemas & gravuras em metal)
Pantemporâneo | São Paulo, 2014
Capa, de Valdir Rocha


Brochura, 74págs
Projeto gráfico: Nelson Itiro Mitsuhashi
Revisão: Márcio Simões
Formato: 14x21cm
R$ 30,00 (frete simples incluso)
Exemplar autografado pelo Autor


TRECHOS PARA LEITURA

A criação sempre foi o único recurso de fundação de uma humanidade em nós. Escutar a melodia da imagem, tendo sempre no espírito o ritmo com que imaginário e criação se entrelaçam. A cada desafio que me faz Valdir Rocha se amplia a juventude lírica de minha alma. Desta vez fisguei entre suas incontáveis gravuras em metal o vozerio de umas tabuletas que vieram me soprar no ouvido a íntima relação entre o pensamento indígena e as sombras definhadas de nossas sociedades. Se fui buscar argumento no ambiente mesoamericano do Popol Vuh, isto se deu pelo singular fascínio por quanto pensamento e vida se mesclam na cosmogonia maia. Ouvindo as peças de Edgar Varèse dedicadas a este livro da Criação, sempre me pareceu que sua leitura musical havia reduzido a diversidade do mito fundador. Diante da força expressiva das gravuras de Valdir Rocha - ardilosas em sua aparente repetição -, voltei a navegar por essa tessitura sofisticada e evoquei outra música, delicada improvisação de encontros, como em toda descoberta, entre o acordeonista francês Richard Galliano e a cantora canadense Molly Johnson. No decorrer de uns poucos dias me concentrei na voragem sedutora de vários discos de ambos os músicos e me pus a dialogar com as gravuras de Valdir Rocha, naturalmente guiado pela soma. A oposição somente se justifica como um garimpo da convivência. Este é um encontro feliz. [Floriano Martins]

Se o trabalho criativo isolado é árduo, aquele que se desenvolve em dupla ou qualquer outro conjunto impõe ainda mais barreiras, porque pressupõe espécie exigente de química para proporcionar resultado adequado. O que se tem neste O sol e as sombras não é a primeira realização em dupla que desenvolvo com Floriano Martins. De quando em quando, renovamos desafios, um ao outro, porque a tal química parece funcionar. As gravuras aqui reunidas foram produzidas ao longo de muitos anos e diversas delas até já estão publicadas em livros anteriores. Apresentei ao poeta cerca de 60 imagens que me diziam ter algum ponto de contato e, delas, Floriano fez nova seleção de 34 - talvez guiado por seus títulos, para com elas conversar. Sei que algumas falaram mais rapidamente; outras menos e houve também aquelas que não cabiam nesse diálogo. Se não estou enganado, a escolha do parceiro recaiu sobre aquelas que aludiam sobretudo à memória, bem como a indagações, buscas e reflexões. Os presentes  poemas de Floriano, comparados com outros de sua obra, são, ao meu sentir, mais narrativos, soltos e espontâneos. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado porque fomos além das 34 imagens visuais somadas a 33 poemas. Mais do que 67 partes que podem funcionar separadamente, chegamos a um todo que ilude mais, sem piedade do olhador e do leitor. [Valdir Rocha]


RESENHA

Em um poema de Floriano Martins, "Rastro", esbarro em um verso que me derruba: "- Esta é a única obra. Escutem seu nome". O poema está em O sol e as sombras (Editora Pantemporâneo, 2014), livro trabalhado em parceria com as mãos vigorosas do artista Valdir Rocha. As reproduções das gravuras em metal de Valdir são atordoantes e conferem ainda mais potência à frase que leio.
O livro se abre com uma epígrafe iluminadora do espanhol Francisco de Goya: "Na natureza existem tão poucas cores quanto linhas, só existem o sol e as sombras. Dá-me um pedaço de carvão e eu te darei o quadro mais belo". Tudo, no livro, conflui para um mergulho radical em si. Tudo conflui para o verso de Floriano - ele, também, simples e forte.
Eu o repito, para ter certeza de que ele existe: "- Esta é a única obra. Escutem seu nome". O verso vem em itálico, o que tanto pode indicar a fala de um personagem obscuro, como uma citação. Mas citação de quem? Não importa - o verso se fecha em si mesmo e nos sacode. Nos arrasta. Ele resume, de modo impactante, o segredo da própria criação.
Lembra Goya que na natureza existem poucas coisas realmente valiosas e que, por isso, devemos nos aferrar ao pouco que temos. Precisamos nos agarrar ao que somos - ao próprio nome - ou nada mais se sustenta. Essa parece ser a sina de artistas e escritores: sustentar uma assinatura. As máximas contemporâneas afirmam que "o autor morreu", mas para os artistas verdadeiros isso não passa de uma afirmação leviana.
Precipitada e perigosa, já que pode matar (ainda que metaforicamente) o que um artista é. Pode emudecer uma voz. E de que mais trata um nome senão de uma voz que nos designa? Que nos devolve a nós mesmos? Ter um nome - o que é muito diferente de ter uma identidade renomada -: eis tudo o que um artista quer. Tudo o que um artista (um escritor) persegue. Tudo o que o mantém respirando.
O mesmo poema, "Rastro", abre com outros versos fortes: "O lugar de ser de cada letra,/ a oração convertida em pérola/ que nos decifra em fatias". A palavra pérola - eis o nome, ao que só se chega depois de um longo percurso de volta a si. Voltar a si é muito mais difícil do que avançar, ou transformar-se. Em outras palavras: para um artista, voltar a si é o verdadeiro avanço, é a verdadeira transformação.
Transformar-se em si mesmo - o que parece simples é o mais difícil. Ainda Floriano: "O mundo é uma fábula,/ até que nos descobrimos/ o personagem de sua saga". O personagem de si mesmo. Ao lado do poema, um imenso rosto, com os olhos arregalados, nos encara. Figura, mais do que nunca, silenciosa. Seus olhos bastam.
A arte de Valdir Rocha dialoga em silêncio com as palavras do poeta. Esse olhar intenso e imenso, voltado mais para dentro do que para fora, é aquele que um artista abre para, enfim, chegar a si mesmo. Refere-se, ainda, ao espanto que todo artista experimenta quando, depois de muita luta, chega ao próprio nome. [José Castello - Rio de Janeiro: O Globo, 04.03.2015]

  
Floriano Martins (Fortaleza, 1957). Poeta, ensaísta, tradutor e editor. Diretor da Agulha Revista de Cultura (www.revista.agulha. nom.br) e da ARC Edições. Estudioso do Surrealismo e de poesia de língua espanhola. Tradutor de Federico García Lorca, Guillermo Cabrera Infante, Pablo Antonio Cuadra e Aldo Pellegrini. Alguns de seus livros de poemas: Cenizas del sol [edição trilíngue, com o escultor Edgar Zúñiga] (Costa Rica, 2001), Tres estudios para un amor loco [tradução de Marta Spagnuolo] (México, 2006), Duas mentiras (Brasil, 2008), Teatro imposible [tradução de Marta Spagnuolo] (Caracas, 2008), A alma desfeita em corpo (Portugal, 2009), Fuego en las cartas (edição bilíngue, tradução de Blanca Luz Pulido] (Espanha, 2009), Autobiografia de um truque (Brasil, 2010), Delante del fuego [traducción de Benjamín Valdivia] (México, 2010), Abismanto [com Viviane de Santana Paulo] (Brasil, 2012). arcflorianomartins@gmail.com.

Valdir Rocha  (São Paulo, 1951) é pintor, desenhista, escultor e gravador, com dedicação às artes plásticas desde 1967. Parte expressiva de suas obras está reproduzida nos seguintes livros: Mentiras, Verdades-meias e Casos Veros (desenhos, pinturas, esculturas e textos diversos), São Paulo, 1994;  Xilogravuras, São Paulo, 2001; Cabeças. São Paulo, 2002; Gravuras em Metal, São Paulo, 2002; Títeres de Ninguém, Florianópolis, 2005; SÓS (desenhos e pinturas sobre papel impresso), São Paulo, 2010; e Confidências (desenhos e pinturas sobre papel impresso), São Paulo, 2013. A obra de Valdir Rocha é objeto de diversas monografias, como as seguintes: A Escultura de Valdir Rocha, de Mirian de Carvalho, São Paulo, 2004, e O Desenho de Valdir Rocha, de Péricles Prade, São Paulo, 2010. Em 2012, foi publicado o livro Só sobre SÓS, de Valdir Rocha, coordenado por Péricles Prade, Florianópolis, com textos de 17 autores. Realizou exposições individuais e participou de algumas coletivas. vr@valdirrocha.art.br.


PEDIDOS A

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Lembrança de homens que não existiam



FLORIANO MARTINS & VALDIR ROCHA | Lembrança de homens que não existiam  (Poemas & desenhos)
ARC Edições | Ceará, 2013
Capa, de Valdir Rocha


Brochura, 106págs
Projeto gráfico: Nelson Itiro Mitsuhashi
Formato: 14x21cm
R$ 35,00 (frete simples incluso)
Exemplar autografado pelo Autor


Floriano Martins (poemas) e Valdir Rocha (desenhos) avivam uma relação de amizade na forma de um diálogo criativo que transcende os limites da ilustração. O convívio com a poética de cada um é o que permitiu o convite feito por ambos quase simultaneamente, como um estalo mágico do acaso. Lembrança de homens que não existiam traz à tona - ou conduz o leitor à profundeza de seu imaginário - uma secreta história do homem repleta de indagações e inquietudes. E o faz com um sentido narrativo que resulta em desafio e encantamento, pelo que permite a quem o visite identificar-se com a voragem de sua visão. Um livro para ser visto e lido sem dissociar suas vertentes criativas.


TRECHOS PARA LEITURA

A centelha que me permitiu adentrar os desenhos de Valdir Rocha contém um segredo alquímico que parcialmente aqui revelo. O primeiro elemento é o que Giacometti chamava de “resíduo de uma visão”, a forma como uma imagem se refaz a cada projeção em minha retina. Logo veio juntar-se a nós a precisão hipnótica com que Modigliani desenha o olhar de seus rostos, como um portal que nos leva a outra dimensão. Em face disto as máscaras mortuárias anônimas se somam como uma ponte que me levam até os hinos religiosos encontrados nos túmulos egípcios. Como o próprio Valdir Rocha já havia apontado na forma de título de um livro seu, seus rostos – mais precisamente seus olhares – foram me fazendo confidências que, em essência, indagavam sobre a atuação dos deuses em nossas vidas, o modo como encarnamos devoções e súplicas, como nos restituímos vida a cada resíduo do que somos. A obsessão de Valdir Rocha por cavoucar o mistério do olhar foi alimentando o canto com o qual refiz minha visão da relação do homem consigo mesmo e o próximo. O que não se revela aqui é o que somente o olhar do leitor saberá decifrar. [Floriano Martins]

A poesia tem seus próprios desígnios e percorre muitos caminhos. Daí que se expressa por inúmeros meios; dentre estes, o poema é possivelmente o seu veículo mais notável: num instante, transforma palavras em coisas tão diversas daquelas a que estavam destinadas, mas sem ignorar algo do seu vínculo originário. Com isso, as palavras multiplicam as significações. O que Floriano Martins lança a compor este volume, em torno de nossas lembranças, pode ser visto como um conjunto de poemas ou como um poema único (que o leitor redividirá ou não, aqui e ali) para dar singular exemplo de como isso se dá. Há uma magia particular em cada trecho que se seccione e no todo resultante. E então não se tem uma história, porque elas são inúmeras, inclusive para englobar as que acontecerão fatalmente, porque são da natureza dos homens. Com palavras, Floriano redesenha olhos, olhares, visões; busca nomes que não quer encontrar; faz perguntas irrespondíveis; espelha o que não se reflete; lança-se em abismos; preenche e dilata vazios; percorre as trilhas da angústia; reza para divindades em que não crê; busca decifrar sem querer. E por aí vai. O poeta é lançador de talvezes, de longo alcance. Conversamos sobre dúvidas, sabedores de que continuaremos com elas. [Valdir Rocha]


RESENHA

Lembrança de Homens que não existiam traz um diálogo em que o conflito entre a imagem e a palavra desfigura a realidade construída para revelar o Vazio, o Nada, de onde surge o ponto de partida para as buscas íntimas do ser humano. É dentro de um ambiente de indagações e descobertas que os amantes se encontram e se despedem num ir e vir constante que se modifica conforme as indomáveis inquietações do Homem. As metáforas abundantes e singulares servem para indicar os elementos de inversão, anulação, reduplicação e deslocamento do eu e da realidade. Como em Lacan, em que "a formação do [eu] é simbolizada oniricamente por um campo fortificado, ou mesmo um estádio, que se estende da arena interna até sua muralha, até seu cinturão de escombros e pântanos, dois campos de luta opostos em que o sujeito se enrosca na busca do altivo e longínquo castelo interior". Em Lembrança de Homens que não existiam o "castelo interior" é o desejo intrínseco de se encontrar no outro, isto é, na outra metade de si mesmo, de se desfazer e refazer no outro para, desta forma, completar-se e estabelecer uma relação entre o mundo interior e o exterior. Além da linguagem rica em atítese, oximoro e paradoxo, repleta de associações que quebram o aspecto lógico, entre as características de Floriano Martins encontra-se a temática do abismo, da vertigem, do nome, da casa, da metapoesia, do espelho. O espelho onde o Homem é confrotado consigo mesmo, onde ele se reconhece e se multiplica. Floriano Martins arruina a perspectiva, desestruturando-a, projetando o sentido das palavras para fora de si, deslocando-as para reestabelecer uma nova imagem, vista de uma dimensão ambígua e de um ponto alucinatório. E, por fim, as linhas expressivas das fisionomias desenhadas por Valdir Rocha reforçam o trajeto inquisitivo dos poemas, adicionando à interpretação mais uma extensão imagética. [Viviane de Santana Paulo - Berlim, 02/08/2013]


Floriano Martins (Fortaleza, 1957). Poeta, ensaísta, tradutor e editor. Diretor da Agulha Revista de Cultura (www.revista.agulha. nom.br) e da ARC Edições. Estudioso do Surrealismo e de poesia de língua espanhola. Tradutor de Federico García Lorca, Guillermo Cabrera Infante, Pablo Antonio Cuadra e Aldo Pellegrini. Alguns de seus livros de poemas: Cenizas del sol [edição trilíngue, com o escultor Edgar Zúñiga] (Costa Rica, 2001), Tres estudios para un amor loco [tradução de Marta Spagnuolo] (México, 2006), Duas mentiras (Brasil, 2008), Teatro imposible [tradução de Marta Spagnuolo] (Caracas, 2008), A alma desfeita em corpo (Portugal, 2009), Fuego en las cartas (edição bilíngue, tradução de Blanca Luz Pulido] (Espanha, 2009), Autobiografia de um truque (Brasil, 2010), Delante del fuego [traducción de Benjamín Valdivia] (México, 2010), Abismanto [com Viviane de Santana Paulo] (Brasil, 2012). arcflorianomartins@gmail.com.

Valdir Rocha  (São Paulo, 1951) é pintor, desenhista, escultor e gravador, com dedicação às artes plásticas desde 1967. Parte expressiva de suas obras está reproduzida nos seguintes livros: Mentiras, Verdades-meias e Casos Veros (desenhos, pinturas, esculturas e textos diversos), São Paulo, 1994;  Xilogravuras, São Paulo, 2001; Cabeças. São Paulo, 2002; Gravuras em Metal, São Paulo, 2002; Títeres de Ninguém, Florianópolis, 2005; SÓS (desenhos e pinturas sobre papel impresso), São Paulo, 2010; e Confidências (desenhos e pinturas sobre papel impresso), São Paulo, 2013. A obra de Valdir Rocha é objeto de diversas monografias, como as seguintes: A Escultura de Valdir Rocha, de Mirian de Carvalho, São Paulo, 2004, e O Desenho de Valdir Rocha, de Péricles Prade, São Paulo, 2010. Em 2012, foi publicado o livro Só sobre SÓS, de Valdir Rocha, coordenado por Péricles Prade, Florianópolis, com textos de 17 autores. Realizou exposições individuais e participou de algumas coletivas. vr@valdirrocha.art.br.





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Em silêncio



FLORIANO MARTINS & VIVIANE DE SANTANA PAULO | Em silêncio (Poemas a quatro mãos)
ARC Edições | Ceará, 2014
Capa, de Floriano Martins


Brochura, 112págs
Revisão & Projeto gráfico: Márcio Simões
Formato: 14x21cm
R$ 30,00 (frete simples incluso)
Exemplar autografado pelo Autor


Floriano Martins (Brasil, 1957). Poeta, ensaísta, tradutor e editor, residente no Brasil. Publicou Cinzas do sol (1991), Teatro imposible (2008), Autobiografia de um truque (2010) e Lembrança de homens que não existiam (com Valdir Rocha) (2013). Diretor da Agulha Revista de Cultura. Contato: floriano.agulha@gmail.com.


Viviane de Santana Paulo (Brasil, 1966). Poeta e ensaísta, residente na Alemanha. Publicou Passeio ao longo do Reno (2002), Estrangeiro de mim (2005), Depois do canto do gurinhatã (2010) e Abismanto (com Floriano Martins) (2012). Contato: vsantanapaulo@yahoo.com.br.


Floriano Martins e Viviane de Santana Paulo sentam-se à mesa virtual - ele em Fortaleza, ela em Berlim - para uma ousada aliança, a de criar um mundo poético baseado na alteridade, na troca de humores, em um jogo entranhável em que se embaralham os sentidos. Em silêncio foi concebido como um tríptico evocando uma variada experiência com a linguagem, mesclando ambientes míticos, urbanos, oníricos, em uma rara aventura pela selva da imaginação. O sentido de entrega alcançado pelos dois poetas permitiu a fusão de muitas e inquietas vertentes da criação. Um livro para viver no mais alto grau de intensidade de sua leitura.


TRECHO PARA LEITURA


Para escrever os nossos poemas não é possível eu fazer anotações porque não sei quais serão os próximos versos. Tento me colocar no seu lugar e imaginar o que você por ventura poderia estar imaginando ou simplesmente dar outro rumo e a partir disso desenvolver os próximos versos. Quando sou eu que inicio um poema, procuro imaginar um tema ou uma imagem que possa ser interpretada através de metáforas. Mas cada poema foi um desafio porque escrever poesia é algo muito íntimo e não acreditava que poderia ser escrito por duas pessoas distintas, ainda mais duas pessoas que não se conhecem pessoalmente e vivem em dois continentes diferentes. E algumas vezes eu não sabia como continuar. Mas a criação significa dar continuação às coisas ou reconstruí-las através da invenção. Procurei enveredar os versos nas alamedas da realidade contemporânea, distorcendo-a, a fim de não me limitar somente ao enleio do surrealismo onírico. [Viviane de Santana Paulo]


PEDIDOS A

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